Em tempos de aquecimento do mercado imobiliário e de pujança da construção civil no Ceará, aumenta a necessidade por produtos e serviços qualificados para abastecer o setor. Essa é a razão que justifica o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores da Construção Civil (PDF), iniciativa do Instituto Euvaldo Lodi – IEL com diversos parceiros, que tem o objetivo de desenvolver os fornecedores locais.
“Para atender a todas essas demandas precisamos de fornecedores qualificados, tornando nossa cadeia produtiva cada vez mais sustentável”, explica Marcos Novaes, presidente da Cooperativa da Construção Civil do Estado do Ceará (Coopercon-CE), um dos órgãos apoiadores do programa.
EXIGÊNCIA DE MERCADO
A ideia é incentivar a qualificação dos fornecedores para que eles ofereçam produtos e serviços de qualidade e, assim, atendam as exigências do mercado. De acordo com o gerente comercial da Coopercon, Yves Mourão, o mercado cearense é muito carente de serviços de uma forma geral.
“A demanda aumentou bastante, os fornecedores pegaram trabalho além de sua capacidade e com isso cai a qualidade. Esse é um ponto negativo porque além de termos que gastar uma energia maior nas construtoras para garantir um serviço bem feito, abre espaço para empresas das regiões sul, sudeste e até de outros países, como vem acontecendo”, afirma Mourão. Assim, o PDF ajuda o mercado de fornecimento local a se organizar, crescer e ser mais competitivo. “Desta forma a construção civil cearense não precisará recorrer a empresas de outras praças e a economia local será favorecida”, explica.
“Além das negociações de insumos, a Coopercon está atuando em outras direções. Temos a preocupação de garantir que nossa cadeia produtiva alcance o máximo de produtividade e qualidade possíveis. Assim, vimos a necessidade de atuar também nesse segmento de qualificação das pequenas e médias empresas locais, que são fornecedores das nossas cooperadas”, afirma o presidente Novaes.
PRIMEIROS RESULTADOS
A primeira etapa do programa foi iniciada em novembro de 2010 e seus resultados foram apresentados em março passado durante evento realizado na Casa da Indústria. Os participantes foram qualificados no que se refere à qualidade, meio ambiente, segurança e saúde do trabalho, responsabilidade social, empresarial, produção e macrogestão (estratégica, comercial e financeira).
Novaes explica que a qualificação do programa se dá através de oficinas, consultorias especializadas, visitas técnicas e fóruns. “Também são realizadas reuniões mensais com as construtoras, Coopercon, IEL, SEBRAE e SENAI para avaliação da evolução dos fornecedores e tratativas para toda a gestão do projeto”, completa.
Como resultado, nos últimos seis meses foram gerados R$13 milhões de negócios entre as construtoras cooperadas e as empresas participantes do programa. Ao todo, são 28 empresas fornecedoras e 12 construtoras. Depois de concluída a segunda etapa – que deverá durar mais um ano e meio – o PDF deverá abrir uma segunda turma em 2013.
Maurício Salles, diretor técnico da Porto Freire, uma das construtoras participantes do PDF, acredita a que o programa permitiu melhorias na relação entre os fornecedores e as construtoras, favorecendo um maior profissionalismo. “A gente já percebe um maior compromisso dos fornecedores em relação aos clientes. Podemos destacar melhorias na especificação do material e nos prazos de entrega”.
Cassandra Rolim, coordenadora de Suprimentos da Magis Construtora, destaca que o programa permitiu que as construtoras conhecessem outros fornecedores do mercado. “Tanto indicamos fornecedores para as construtoras âncoras como conhecemos outros. Então houve uma troca de valores”, afirma.
A coordenadora também aponta a melhoria nos prazos de entrega e acrescenta que os fornecedores começaram a enxergar outros aspectos do serviço, como a importância da forma como o produto é embalado, por exemplo. “Não é só o preço que a gente considera. Temos que levar em conta a qualidade do produto e do serviço. Se o fornecedor está atendendo as necessidades da obra e se está trabalhando em tempo hábil. Caso contrário, temos mão-de-obra parada, o que não é bom para a construtora”, diz.
Cassandra acredita ainda que o programa otimizou o trabalho dos fornecedores, permitindo o aumento do leque de clientes e a diminuição dos preços. “Eles colocaram ordem na casa, viram que conseguiam melhorar a logística e isso acabou por refletir nos preços”.
Como é realizado o programa?
1. Oficinas - onde são expostos conteúdos teóricos sobre diversas áreas de gestão como: Gestão Estratégica; Logística; Gestão da Qualidade/ resíduos; Gestão da Produção; Responsabilidade Social; Segurança no Trabalho – nestas a empresa envia o profissional que atua na área de estudo para se capacitar;
2. Consultorias especializadas – Consultores de empresas visitam os fornecedores, fazem uma avaliação e passam tarefas de acordo com a oficina que foi ministrada. As atividades são personalizadas para cada empresa, de acordo com o grau de evolução no assunto;
3. Visitas técnicas – São agendadas com as construtoras da diretoria da Coopercon visitas técnicas com os fornecedores participantes. Na ocasião, as construtoras apresentam suas formas de trabalhar e seus critérios de avaliação e seleção de fornecedores;
4. Fórum de fornecedores – ocorrem mensalmente e os assuntos tratados nas oficinas e consultorias são compartilhados. Cada fornecedor expõe suas dificuldades e soluções encontradas. É um ambiente de troca de aprendizados.
Fonte: Jornal O Estado

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