por João Teodoro da Silva
Para quem, nos anos recentes, tem assistido a uma contínua
alta no valor dos imóveis, o ano de 2013 desponta com significativa novidade
para o mercado imobiliário: os preços irão se estabilizar e, em alguns casos,
começar a se retrair. Levantamentos recentes feitos pelo Sistema Cofeci-Creci
identificam que o boom imobiliário entrará em nova etapa.
A partir de agora, iremos assistir a uma fase de
estabilização. Os preços irão se aproximar mais da realidade mercadológica e,
assim, do bolso do consumidor, de acordo com a singular lei de oferta e
procura. Esse movimento se iniciou em 2012. Irá alterar o cenário atual, de
constantes altas, e afetar todos os setores do mercado imobiliário, da
comercialização ao mercado de locação.
Somente onde haverá grandes eventos, como Copa do Mundo e
Olimpíadas, ainda há possibilidade de alguma majoração nos preços. E, ainda
nesse contexto, a situação será singular e momentânea. O recente boom
imobiliário no Brasil reacendeu um setor que estava estagnado. E causou uma
disparada de preços, que chegou até mesmo a desequilibrar a lógica e a
aritmética vigentes nesse mercado. Enquanto os Estados Unidos enfrentavam uma
grave crise, originada numa bolha imobiliária, o Brasil via o segmento
explodir, em função de uma imensa demanda reprimida nos anos anteriores. Num
primeiro olhar, muitos identificaram aqui também a ameaça de uma bolha.
A mesma, felizmente, nunca ocorreu no Brasil. Agora, teremos
que estar preparados para enfrentar um segundo momento: a estabilização dos
preços e até mesmo um retrocesso nas tabelas de comercialização, de
investimento e até mesmo da presença do setor e seus índices na macroeconomia
nacional. Em muitos centros urbanos, as construtoras voltadas para as classes
média e alta retraíram investimentos. Necessitam comercializar o estoque
acumulado. Para isso, terão que rever valores e condições, e precisar ainda
mais de um bom agente comercializador, o corretor de imóveis, para conquistar o
cliente. Voltando no tempo, é necessário rememorar a sequência histórica.
Tudo começou em 2005, após a Lei Federal 10.931, em vigor a
partir de agosto de 2004.Em seu texto, a nova regulamentação atacava dois
pontos cruciais naquele momento. Primeiro, a lei ampliou a segurança de quem
investe em um imóvel, regulamentando o patrimônio de afetação. Assim, afastou
os fantasmas herdados de casos como a Encol, que ainda eram muito fortes no
imaginário do consumidor. Em sua segunda parte, a regra induziu o sistema
financeiro a destinar recursos para o crédito imobiliário. Com isso, promoveu a
oferta de financiamentos, ampliou o acesso ao crédito com extensão no limite de
prazos para a quitação e da idade dos aspirantes ao benefício, desburocratizou
a concessão de financiamentos, estimulou a concorrência saudável no mercado
financeiro por melhores condições ofertadas ao consumidor. Uma medida
complementar também ajudou no aquecimento do mercado, com a possibilidade de
financiar não só imóveis novos, mas também usados.
Em seguida, os benefícios, até então direcionados a imóveis
residenciais, abrangeram também unidades comerciais.
Veio o Programa Minha Casa, Minha Vida para agregar força e
complementar a política habitacional. O boom imobiliário, com tantas alavancas,
nada mais foi do que a descompressão de um mercado que estava reprimido desde o
Plano Collor. Assim como interpretamos o boom imobiliário como um crescimento
ávido, nosso desafio agora será não considerar o equilíbrio que se avista como
momento recessivo. Ao analisar os números que deverão permear o mercado em
2013, teremos de considerar que a gangorra que subiu nos últimos anos, começa a
baixar -e não sabemos em que ponto irá interromper o movimento -, mas segue
criando oportunidades para todos.
Pesquisa recente aponta que mais de 7 milhões de
consumidores das classes C e D esperam adquirir um imóvel nos próximos dois
anos. Há crédito imobiliário disponível para isso.
O momento, agora, é de reflexão e redirecionamento. O
mercado continuará aquecido, mas voltado a novos segmentos, com muitas e boas
oportunidades para consumidores, vendedores e intermediários das operações
imobiliárias.
✽ PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS
(SISTEMA COFECI- CRECI)
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