terça-feira, 5 de março de 2013

A Gangorra dos Preços


por João Teodoro da Silva


Para quem, nos anos recentes, tem assistido a uma contínua alta no valor dos imóveis, o ano de 2013 desponta com significativa novidade para o mercado imobiliário: os preços irão se estabilizar e, em alguns casos, começar a se retrair. Levantamentos recentes feitos pelo Sistema Cofeci-Creci identificam que o boom imobiliário entrará em nova etapa.
A partir de agora, iremos assistir a uma fase de estabilização. Os preços irão se aproximar mais da realidade mercadológica e, assim, do bolso do consumidor, de acordo com a singular lei de oferta e procura. Esse movimento se iniciou em 2012. Irá alterar o cenário atual, de constantes altas, e afetar todos os setores do mercado imobiliário, da comercialização ao mercado de locação.

Somente onde haverá grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, ainda há possibilidade de alguma majoração nos preços. E, ainda nesse contexto, a situação será singular e momentânea. O recente boom imobiliário no Brasil reacendeu um setor que estava estagnado. E causou uma disparada de preços, que chegou até mesmo a desequilibrar a lógica e a aritmética vigentes nesse mercado. Enquanto os Estados Unidos enfrentavam uma grave crise, originada numa bolha imobiliária, o Brasil via o segmento explodir, em função de uma imensa demanda reprimida nos anos anteriores. Num primeiro olhar, muitos identificaram aqui também a ameaça de uma bolha.

A mesma, felizmente, nunca ocorreu no Brasil. Agora, teremos que estar preparados para enfrentar um segundo momento: a estabilização dos preços e até mesmo um retrocesso nas tabelas de comercialização, de investimento e até mesmo da presença do setor e seus índices na macroeconomia nacional. Em muitos centros urbanos, as construtoras voltadas para as classes média e alta retraíram investimentos. Necessitam comercializar o estoque acumulado. Para isso, terão que rever valores e condições, e precisar ainda mais de um bom agente comercializador, o corretor de imóveis, para conquistar o cliente. Voltando no tempo, é necessário rememorar a sequência histórica.

Tudo começou em 2005, após a Lei Federal 10.931, em vigor a partir de agosto de 2004.Em seu texto, a nova regulamentação atacava dois pontos cruciais naquele momento. Primeiro, a lei ampliou a segurança de quem investe em um imóvel, regulamentando o patrimônio de afetação. Assim, afastou os fantasmas herdados de casos como a Encol, que ainda eram muito fortes no imaginário do consumidor. Em sua segunda parte, a regra induziu o sistema financeiro a destinar recursos para o crédito imobiliário. Com isso, promoveu a oferta de financiamentos, ampliou o acesso ao crédito com extensão no limite de prazos para a quitação e da idade dos aspirantes ao benefício, desburocratizou a concessão de financiamentos, estimulou a concorrência saudável no mercado financeiro por melhores condições ofertadas ao consumidor. Uma medida complementar também ajudou no aquecimento do mercado, com a possibilidade de financiar não só imóveis novos, mas também usados.

Em seguida, os benefícios, até então direcionados a imóveis residenciais, abrangeram também unidades comerciais.
Veio o Programa Minha Casa, Minha Vida para agregar força e complementar a política habitacional. O boom imobiliário, com tantas alavancas, nada mais foi do que a descompressão de um mercado que estava reprimido desde o Plano Collor. Assim como interpretamos o boom imobiliário como um crescimento ávido, nosso desafio agora será não considerar o equilíbrio que se avista como momento recessivo. Ao analisar os números que deverão permear o mercado em 2013, teremos de considerar que a gangorra que subiu nos últimos anos, começa a baixar -e não sabemos em que ponto irá interromper o movimento -, mas segue criando oportunidades para todos.

Pesquisa recente aponta que mais de 7 milhões de consumidores das classes C e D esperam adquirir um imóvel nos próximos dois anos. Há crédito imobiliário disponível para isso.
O momento, agora, é de reflexão e redirecionamento. O mercado continuará aquecido, mas voltado a novos segmentos, com muitas e boas oportunidades para consumidores, vendedores e intermediários das operações imobiliárias.

PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS (SISTEMA COFECI- CRECI)

sábado, 2 de março de 2013

Prefeitura quer zerar 800 alvarás com pendência.

Nova secretária quer atingir meta até o fim deste ano e começou resolvendo questão com construtores

Zerar o estoque de 800 alvarás pendentes é a meta para 2013 da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma, antiga Semam), de acordo com o afirmado pela titular da pasta, a arquiteta Águeda Muniz. Todos os processos estão sob análise desde a gestão passada e, para serem liberados, precisam que os construtores apresentem algum documento.

Com este objetivo, ela disse já ter resolvido o impasse com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon-CE) sobre a Taxa Compensatória Ambiental (TCA) - cobrada pela Prefeitura e contestada pela entidade representativa das construtoras.

"Ela (Águeda Muniz) apresentou para nós a campanha ´Estoque Zero´, que visa zerar os processos com pendências e criar novos procedimentos. Todos dentro da lei, claro", contou o vice-presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro. De acordo com o empresário, a Prefeitura passou a respeitar a liminar que isentava as construtoras dos 0,5% de TCA e acabou com o embargo às 81 obras em Fortaleza, as quais contabilizavam R$ 4,8 bilhões em investimentos. Montenegro também contou de uma reunião marcada com a titular da Seuma, para a semana que vem, quando os filiados ao Sinduscon-CE deverão apresentar melhorias no "fluxograma apresentado pela Secretaria".

"A meta é trabalhar de forma compromissada com o rigor técnico, transparência e agilidade para, ainda neste ano, reduzir o estoque de processos existentes", reforçou Águeda. Ela ainda disse, sem citar nomes, que "vem buscando entendimento com todos os setores ligados ao planejamento e controle das questões urbanas e ambientais", como a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo e o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Ceará (Crea-CE).

Poluidores devem pagar

Ainda sobre o impasse da TCA, a nova titular do Meio Ambiente da Capital explicou que todo empreendimento considerado potencialmente poluidor, com mais de 1.000 m² de área, situado em regiões onde a questão ambiental é mais delicada ou não haja rede de esgotamento sanitário, "é passível de licenciamento". Ou seja, construções dentro deste perfil devem pagar a Taxa Compensatória Ambiental à Prefeitura.

Análises e prazos

Além do ´Estoque Zero´ revelado por André Montenegro, a secretária informou sobre a elaboração de um estudo para mapear os processos existentes no setor de análise ambiental, o que fez a nova diretoria da Seuma conhecer os processos jurídicos já de posse da pasta.

"O fluxo de análise está sendo revisto de forma a otimizar o prazo de análise mas, jamais, flexibilizar ou impedir o rigor da análise", pontuou.

Já o tempo de análise pela Seuma não é fechado pela secretária. De acordo com ela, o tempo de emissão dos alvarás e licenças é diferenciado e depende, principalmente, das pendências e notificações de cada construtora. Dentro do trâmite, são necessárias, além dos alvarás emitidos pela Seuma, as licenças Prévia (LP), de Instalação (LI) e de Operação (LO).

Urbanismo na Capital

Perguntada sobre quais alterações o nome ´Urbanismo´ traz para a secretaria que dirige, Águeda afirma que, além das análises de projetos "no que se refere à emissão de alvarás e licenças", estão sob a alçada do novo termo as ações voltadas para o plano de drenagem de Fortaleza (em parceria com a Secretaria de Infraestrutura) e "a fiscalização relacionada à poluição visual, sonora e ambiental" (integrada às Secretarias Executivas Regionais - SERs).

Segundo Águeda, os trabalhos de fiscalização começaram durante o Carnaval, quando disse ter intensificado as ações de fiscalização contra paredões de som em Fortaleza.

Ela ainda garantiu que os fortalezenses já sentem as ações que o Urbanismo acrescentado à pasta proporcionou à Capital.

"A Seuma diariamente recebe e-mails e telefonemas de denúncias e a orientação é que todas sejam respondidas", finalizou.